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Um americano no exterior na EslováquiaVídeo

Há a bolha pequena com os seus amigos e família, a bolha de tamanho médio, que consiste na sua comunidade e localidade, e a bolha grande, a sua cultura e país.

Morei nos EUA quase a vida toda e achava o maior país da Terra. Ainda acho. Mas grande nem sempre significa o melhor, ou o melhor para você.

Acho que a maioria de nós tende a viver dentro de bolhas de tamanhos diferentes. Há a pequena bolha com seus amigos e sua família, a bolha de tamanho médio, que consiste em sua comunidade e sua região, e a bolha grande, sua cultura e seu país. Mas há uma bolha ainda maior chamada mundo inteiro, e eu nem a definiria como uma bolha; na verdade, eu a chamaria de antibolha.

Vivenciar coisas fora das minhas bolhas me alimenta constantemente com novos estímulos. Viajar e morar fora nos mergulha em pontos de vista variados e enriquecedores. Há culturas muito mais antigas que a nossa nos EUA, e muito a aprender. Sempre fui um curioso ávido, que se entedia fácil, olha para a frente e nunca se satisfaz em ficar parado. Vivenciar coisas fora das minhas bolhas me alimenta constantemente com novos estímulos. Obriga a aprender, adaptar e mudar outra vez. Mudar faz bem.

Moro na Eslováquia há bem mais de um ano e amo este lugar. Não é perfeito, mas não preciso nem quero perfeição. Sair da bolha significa encontrar algo novo. Quero algo diferente, e a Eslováquia tem isso de sobra. O povo tem uma longa história e uma cultura da qual se orgulha. A comida (para o meu gosto) é maravilhosa. Lembro que, quando cheguei, até algo tão básico como ir ao supermercado era uma grande experiência. Que marca de chocolate é essa? Que tipo de sobremesa é aquela? Por que a Lays oferece essas estranhas batatas chips com sabor de “Summer Salad”? Que tipo de abacaxi é aquele? Meio que enlouqueci na primeira vez e comprei um pouco de tudo. Ainda não experimentei tudo e ainda fico empolgado quando encontro algo novo.

Já me adaptei um pouco agora, e algumas coisas estão começando a virar rotina. Compro rožky (um tipo de pãozinho que lembra um pão de cachorro-quente), que os eslovacos comem com manteiga, sal e, às vezes, rabanetes. Faço meu próprio Goulash pelo menos uma vez por semana e o sirvo sobre knedľa (um tipo de pão/bolinho cozido no vapor). Compro leite em caixas de papelão que não precisam ir à geladeira até serem abertas. Os ovos daqui são superiores. A gema é de um laranja intenso, com um sabor rico. As principais proteínas aqui são porco e frango. Carne bovina é cara e difícil de encontrar. Sinto falta dela. Também sinto falta de outras comidas dos Estados Unidos, como uma simples caixa de Mac & Cheese; é impossível encontrar isso aqui. Nem tudo é melhor. O sistema postal é estranho. Tudo demora demais para chegar e, quando chega, recebo um papelzinho amarelo esquisito na minha pequena caixa de correio. Aí tenho que ir até a agência dos correios, com o tal papelzinho esquisito, e esperar numa fila longa para retirar a encomenda. Eles têm serviços de entrega por aqui, que são extremamente acessíveis. Já recebi móveis dessa maneira.

Aqui vai um retrato fiel da assistência médica em um sistema socializado. Como americano, ouvi da esquerda que a saúde universal é o santo graal; a direita diz que é a pior ideia de todos os tempos. Minha experiência? Um pouco dos dois, mas, no geral, muito melhor. Aqui está a verdade. Se você precisa de um médico ou dentista, está tudo resolvido e você nunca precisa se preocupar. Os médicos daqui são muito inteligentes, têm equipamentos modernos e utilizam os procedimentos mais recentes. Meu dentista até encomendou da França um material especial de preenchimento de polímero sem BPA. Meu médico sabia de efeitos colaterais pouco conhecidos do meu medicamento que meus médicos americanos nunca mencionaram. Então é bom, mas aqui está a única coisa ruim: filas. Não dá para marcar uma consulta. Você simplesmente vai ao consultório e espera. Às vezes há uma multidão de pessoas em pé, ocupando a sala inteira, e você precisa tentar descobrir quem é o próximo. Ainda assim, é um sistema melhor, e posso dizer isso por ter experimentado os dois.

Cresci na região rural do oeste de Nova Jersey, onde ter um carro era uma necessidade absoluta. Morando em quase qualquer parte da Europa, não é. Viajo feliz pela Eslováquia de trem e ônibus para chegar aonde quiser. Não preciso estacionar, ficar preso no trânsito nem dirigir. Posso dormir no trem, e adoro trens. A Eslováquia domina o transporte coletivo. É acessível. Tenho um passe mensal que custa menos de US$ 30 e posso subir e descer de ônibus e bondes por toda a cidade de Bratislava para ir aonde quiser, quantas vezes eu quiser. Nos horários de deslocamento para o trabalho, pode ficar lotado e apertado, mas na maior parte do tempo é simplesmente ótimo.

Os eslovacos têm uma opinião diferente, e não sei bem por quê. Acho que é a influência gradual da cultura americana: eles simplesmente “querem” carros, e muitos têm carros, carros muito bons; só não “precisam” deles. Deixe de lado quaisquer estereótipos que você possa ter sobre o Leste Europeu; a maioria não é verdadeira (pelo menos não mais), especialmente na Eslováquia, que tem uma das economias de crescimento mais rápido da Europa. Como americano que passou um tempo desproporcional com registros, inspeções, seguro do carro, gasolina, procura por vagas, trânsito ou simplesmente tendo que dirigir exausto ou cansado, posso dizer: quando um sistema de transporte coletivo funciona, ele é uma bênção. E é melhor para o meio ambiente.

…eslovacos são gente de ar livre. Adoram caminhar, cultivar e estar na natureza.

Falando em meio ambiente, os eslovacos não são um povo que desperdiça. Uma coisa a que você precisa se acostumar aqui é levar suas próprias sacolas de compras. Eles não as fornecem. Isso obriga todo mundo a reutilizar, e passei a gostar da prática. Minha sogra guarda todo e qualquer recipiente, especialmente potes de vidro, que usa para fazer suas conservas todos os anos, usando endro e pepinos do próprio jardim. Ela faz os melhores picles que já comi na vida.

Falando em jardinagem, os eslovacos são um povo que gosta de estar ao ar livre. Eles adoram fazer trilhas, cuidar de jardins e, de modo geral, estar na natureza. Parece estranho para uma cultura que ainda vive majoritariamente em prédios de apartamentos de concreto, mas é aí que a coisa fica curiosa. Muitos eslovacos têm jardins nos arredores de suas cidades e vilas. Eles têm seus pequenos apartamentos, mas também esses terrenos, geralmente com uma casinha onde passam horas relaxando, preparando comida na grelha e cuidando do jardim. Eu adoro isso. Provavelmente é uma das coisas que mais me impressionam nos eslovacos. O compromisso deles com o meio ambiente é tão forte que reservam um pedaço de terra onde possam aproveitar o sol.

Perto do Natal, eles têm esses lugares chamados mercados de Natal, onde vendem todo tipo de guloseima. Há vinho quente natalino com especiarias, doces quentinhos de canela, todo tipo de artesanato e muita comida, tudo especialidades eslovacas. Um dos meus pratos favoritos é pato. Pato é caro nos Estados Unidos, mas aqui não. Isso quase compensa a falta de produtos de carne bovina.

A Eslováquia tem uma grande população de jovens profissionais com alto nível de instrução. As empresas internacionais perceberam isso. Essas empresas aproveitaram uma força de trabalho com boa relação entre custo e benefício. Os eslovacos trabalham duro e, pessoalmente, acredito que são mal remunerados, mas talvez seja por isso que tantas empresas internacionais estejam se mudando para cá. Isso também explica o enorme crescimento econômico de um país tão pequeno. Aqui, eles estão nos estágios iniciais do capitalismo, que está começando a criar raízes fortes. Só espero que não se tornem acomodados como uma parcela dos americanos se tornou.

Ainda existem resquícios dos antigos costumes comunistas. Mencionei a saúde universal, mas vejo isso mais como uma ideia socialista. Eles têm essas coisas chamadas vales-refeição. Todos os empregadores os fornecem. Você usa esses vales em qualquer restaurante, cafeteria ou supermercado. É incrível sair para almoçar, olhar ao redor, escolher um lugar para comer e estudar o que eles chamam de “menu do dia”.

Esses menus diários são feitos principalmente para os trabalhadores. É parecido com a cantina da escola, só que a comida é muito boa e dá para escolher entre três e cinco pratos, além de sopa.

Ah, sim, sopa! Os eslovacos precisam de sopa em todas as refeições, e eles fazem umas sopas incríveis. Você também pode, com a mesma facilidade, ir a um restaurante chinês e usar seu vale-refeição. A escolha é sua. Eu gosto disso e acho uma ótima ideia; como americano, só tive dificuldade para entender como funcionava no começo.

Aqui também há McDonald’s e KFC, mas isso é considerado um capricho e custa caro. Sinceramente, você prefere gastar mais em comida de fast-food ruim ou comer uma refeição eslovaca caseira num restaurante de qualidade? Nos Estados Unidos é o contrário: fast-food é barato e comida de restaurante é mais cara. Não sei se os eslovacos percebem como estão bem, mas talvez digam o mesmo de mim, um americano estranho que está aproveitando a cultura deles ao máximo.


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